JUSTIFICATIVA:
O DTG (Departamento de Tradições Gaúchas) Pequenos Estancieiros surgiu em 2002, na antiga Escola Municipal de Educação Infantil Pingo de Gente, coordenado pelas professoras da escola. Sua fundação objetivou-se em resgatar as danças típicas gaúchas bem como manter viva nossas tradições.
Desde 2009 procuramos resgatar esse projeto e torná-lo prioridade da turma (já na EMEI Professor Sylvio Hoffmann).
Resolvemos fazer uma transformação, tanto nas pilchas quanto na organização do projeto em si, tornando-o mais a cara da escola, já que esta se modifica ao longo do tempo, e levá-lo a destaque na escola e na comunidade, valorizando o trabalho dos alunos e a capacidade dos mesmos.
Sendo assim, trabalhamos os costumes gaúchos, ensaiamos danças e realizamos muitas apresentações. As apresentações não possuem fins lucrativos, pois nosso único objetivo é manter vivo o orgulho de ser gaúcho.
As danças gaúchas são a legítima expressão da alma. Em todas elas vê-se o respeito a figura feminina, que sempre caracterizou o campesino rio-grandense. Todas também possibilitam extravasar a criativa teatralidade. As danças folclóricas gaúchas possuem a peculiaridade de serem evolucionadas aos pares. Este fato encontra justificativa na formação histórica do povo gaúcho, uma sociedade que se firmou e deitou raízes nesta terra através da participação da mulher.
As danças dos pares entrelaçados faz muito sucesso.
A mais típica representação tradicional do Rio Grande do Sul, no campo das danças, é o “fandango”.
As danças folclóricas são: Pezinho; Balaio; Carangueijo; Chula; Xote; Canaverde; Anu; Maçanico; Tatu com Volta Ao Meio; Tirana do Lenço; Rancheira de Carreinha e a Chimarrita.
As Danças de Salão tradicionais são: Valsa; Vaneira; Vaneirão; Xote; Milonga; Bugio; Rancheira e Chamamé.
Dentro do nosso grupo procuramos ressignificar a tradição gaúcha, buscando na escola um espaço para preservá-la e vivenciá-la. Para isso abordam-se aspectos culturais do Rio Grande do Sul no decorrer das aulas, articulando tais questões aos conteúdos do currículo escolar e a faixa etária.
Assim será possível levar os alunos da Pré Escola a resgatarem e ressignificarem algumas vivências do tradicionalismo gaúcho em seu cotidiano, para conhecerem e reconstruírem costumes e hábitos que, por muitas vezes, são esquecidos no tempo, pela evolução da sociedade.
Teóricos como Barboza (1996) e Fagundes (1996) apontam a importância de resgatar aspectos da cultura de nosso estado, mostrando possibilidades de inserir este assunto na educação formal do Rio Grande do Sul.
Uma vez que a escola é o reflexo da sociedade em que estamos inseridos se deve valorizar e trazer, para dentro da sala de aula, questões vivenciadas no cotidiano, não esquecendo das questões pertinentes à identidade da cultura gaúcha.
Desse modo, reporta-se à importância de preservá-la no tempo e espaço em que estamos, não negando os avanços da sociedade, mas reconstruindo o seu significado a partir das perspectivas atuais, ou seja, ressignificando-a no contexto escolar.
A cultura tradicionalista gaúcha, quando não cultivada em seus Centros de Tradições Gaúchas (CTG), geralmente, é lembrada apenas pela sociedade durante a Semana Farroupilha, quando aparecem as tradicionais comemorações, fandangos, cavalgadas e propagandas comerciais referentes a este momento. Estas comemorações muitas vezes, esquecem o verdadeiro sentido da tradição, não a vivenciando em seu cotidiano ou também não valorizando questões referentes ao tradicionalismo que cultivamos em nosso dia-dia, como o simples fato de cevar e tomar o mate, fazer o churrasco ou o carreteiro, escutar músicas nativas, recitar poesias, conhecer lendas, participar de jogos e brincadeiras tradicionais, etc.
O ser humano tem uma necessidade de dominar as representações, imagens, símbolos ou significados e a cultura, além do real, é composta por estes elementos. Todos conhecem a bandeira e o brasão Rio-Grandense, entretanto poucos sabem seus significados; muitos conhecem e até criticam a indumentária, porém poucos percebem seus detalhes e seu contexto; a grande maioria das pessoas toma chimarrão e come churrasco, entretanto não sabem que estão preservando a tradição. São nos simples fatos do cotidiano e nos conhecimentos do senso comum que está presente a essência do gaúcho e isso deve ser lembrado e apreendido na escola, para que não passe como algo desvinculado à cultura.
Nesse sentido, é preciso desmistificar a premissa de que só é possível cultivar a tradição gaúcha participando de espaços tradicionalistas e aceitar o fato de que podemos cultuar nossas raízes em lugares e espaços variados, começando pelas escolas, que são instituições de construção de conhecimentos. Assim, nós educadores, na variedade de funções que nos são atribuídas, devemos contribuir para a divulgação, ressignificação e cultivo do folclore e tradição gaúcha. Como afirma Barbosa (1996, p.7 - 8):
Priorizo sempre o folclore e o tradicionalismo como intenção e recurso da educação sistemática. Tenho convicção de que, cada vez mais, as instituições (escola, centro de tradições, grupo comunitário) devem assumir o papel de resgate e transmissão de nossas raízes mais autênticas, o que antigamente era quase que exclusiva das famílias e do grupo social mais próximo.
No pressuposto de que a sobrevivência dessa cultura acontece mais facilmente e verdadeiramente no momento em que ela é conhecida e vivenciada desde cedo pelas crianças, acredita-se ser muito importante a disseminação e ressignificação do tradicionalismo gaúcho dentro do espaço escolar, abordando aspectos culturais do Rio Grande do Sul no decorrer das aulas e articulando aos conteúdos.
Do mesmo modo, este trabalho vem ao encontro dos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN), quando esse aponta como tema transversal a Pluralidade Cultural. Segundo esse documento (1997, p. 15):
Esse é um trabalho que, embora complexo, pode ser prazeroso e motivador na sala de aula, por falar de perto da realidade de vida daqueles que ali ensinam e aprendem, pela enriquecedora oportunidade de conhecer as histórias de dignidade, de conquistas e de culturas e povos que constituem o Brasil, de tudo que, sendo diverso, valoriza a singularidade de cada um e de todos.
A escola deve tratar do desenvolvimento de atitudes e valores e da formação de novos comportamentos, tendo como desafio interligar os conteúdos que se aprendem na escola à vida da sociedade.
A cultura gaúcha é peculiar uma vez que é constituída pelas influências de várias outras culturas, como a indígena, espanhola, portuguesa, a negra, entre outras. Esse trabalho em sala de aula releva, direta ou indiretamente, a realidade social e cultural do aluno, pois traz também relações com muitas outras culturas.
Sendo assim nosso DTG, além das apresentações, procura trabalhar esses aspectos culturais do nosso estado, bem como a questão de valores dentro do grupo. É imprescindível que se procures mostrar aos alunos o respeito que devem ter com seu par, a força que o peão deve demonstrar e a delicadeza da prenda.
Para que estes valores sejam internalizados e apreendidos pelas crianças, é preciso que eles vivenciem atividades que são inerentes ao gaúcho e assim adquiram valores de respeito e amizade para com o grupo.